Sabe o Evo Morales?! Aquele presidente boliviano que aprontou uma bagunça com a Petrobras e que é o primeiro líder indígena da América Latina. Pois é, qual seria uma das últimas empresas que ele faria uma aliança? Petrobras? Coca-Cola? Quem foi esperto e viu o banner acima, sabe que não é nenhuma dessas, mas sim a Microsoft.
Numa tentativa de promover línguas indígenas nativas bolivianas, ele recorreu à Microsoft para lançar um Windows nessas línguas. Ele foi atendido. Na América Latina existem cerca de 10 a 13 milhões de pessoas que falam o dialeto Quechua (língua da época dos incas), Morales quer tirá-los do praticamente desconhecimento digital.
O chefe de operações da Microsoft na Bolívia, Nelson Cuentas, agradeceu Morales por confiar na Microsoft. O detalhe é que a resposta veio em um misto de Quechua e Espanhol.
A Microsoft tem feito um programa semelhante por toda a América Latina. E o projeto já está gerando receita para a empresa. Recentemente ela ganhou um contrato com o governo Peruano, colocando o Windows com Quechua em cerca de 5.000 computadores. Um grupo de peruanos que agradecem, são os professores de línguas, os quais afirmam ensinar o dialeto de forma muito mais “interativa”, tornando mais atrativo do que a leitura de livros.
De acordo com Serafin Coronel-Molina, um linguista de Princenton que ajudou na tradução, o maior desafio foi balancear o uso de palavras estrangeiras (já que nem tudo tem como ser traduzido - vide nosso email, internet, etc) e a criação de novos dialetos.
Um grande porém em toda essa história, é que apesar de tornar o Sistema Operacional mais acessível (do ponto de vista do uso e não da compra) para grande parte da população, um problema maior impede uma entrada dos bolivianos no mundo digital, a falta de computadores. Pouquíssimas pessoas na Bolívia tem acesso a computadores, além do mais, os nativos que falam o dialeto e possuem computadores podem ser contados nos dedos.
Interessante se pararmos para pensar o quão difícil é criar um produto global, dada as vastas diferenças culturais do planeta. A Microsoft parece estar querendo criar uma imagem bem mais social do que imaginávamos. Já não era sem tempo! Devemos lembrar também dos interesses financeiros em projetos como esse, no mundo de hoje ninguém trabalha de graça. Mesmo assim, boa iniciativa!
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