Diariamente, são publicados inúmeros estudos estúpidos por todo canto do planeta. Estes estudos tentam quase sempre, ou provar o óbvio, ou buscar relações absurdas entre as coisas. Algumas vezes, o que inicialmente parece estúpido, pode depois fazer algum sentido.
Eis que um tal de Aryn Karpinski, lá da Universidade de Ohio, nos EUA, divulgou um estudo afirmando que os estudantes que acessam o site de relacionamentos Facebook, tiram notas mais baixas do que os estudantes que não acessam. Para quem ainda não sabe, o Facebook é um site de relacionamentos semelhante ao Orkut, e que é a atual febre (junto com o Twitter) nos EUA.
De acordo com o estudo, dos 209 estudantes entrevistados, 148 que usam o Facebook, estão tirando notas inferiores aos que não utilizam. Além disso, os mesmos usuários do Facebook, relataram estudar apenas de 1 a 5 horas por semana, contra 11 a 15 horas dos que não utilizam.
Do ponto de vista dos próprios usuários do Facebook que foram entrevistados, o fato deles tirarem notas menores e estudarem por menos horas, não está relacionado com o uso do mesmo. Isso soou como um fumante tentando justificar o vício, dizendo que o câncer no pulmão dele não é culpa do cigarro.
Um ponto que eu acho extremamente importante em trabalhos científicos, é o próprio estudo tentar buscar falhas nele mesmo, no caso deste, Aryn Karpinski, afirmou que talvez mesmo os estudantes não tendo o Facebook para acessar, eles buscariam outras fontes de distração que culminaria com a mesma diminuição do rendimento escolar. Caso isso seja verdade, o Facebook não seria o vilão da história.
Vale lembrar que o mesmo raciocínio se aplicaria ao Orkut. Será que os jovens brasileiros tiveram uma diminuição no rendimento escolar depois do Orkut? Difícil responder ao certo, mas é extremamente fácil jogar toda a culpa sobre o Orkut, Facebook, MySpace, YouTube, Twitter e tudo mais.
Um esboço do jovem moderno
A geração que cresceu com acesso à Internet, tem algumas peculiaridades. Os jovens atuais, estão habituados a fazer diversas coisas de maneira simultânea. Você por exemplo, quantas abas estão abertas no seu navegador nesse exato momento?
Um reflexo rápido e claro da “geração multi-task” é a extrema dificuldade de focar em algo. Eu, por exemplo, sou uma prova viva disso, em comparação com meus colegas de curso que não estão habituados a “ficar na Internet”, eu estudo realmente, muito menos. Tenho dificuldade em sentar na cadeira e ficar somente eu e o livro, para mim é inevitável que o notebook esteja aberto bem na minha frente.
Mas isso é culpa do Twitter, do Facebook, ou das inúmeras “maravilhas da interação moderna“? Acho que não, talvez seja um simples reflexo que o ser humano esteja mudando a sua forma de enxergar e interagir com as coisas ao seu redor.
P.S.: Quem quiser ver o estudo completo, é só vir aqui.
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